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HIV Medicine 2006

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Tradução:

Carolina Palma
Catarina Pinheiro
Daniela Lobão
Joana C. Silva
Helena Barroso
Inês Bártolo
Patrícia Carvalho
Paula Matoso
Sheila Rocha
Victor Bezerra

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Gonorreia

A gonorreia, também denominada blenorragia e popularmente conhecida como esquentamento é provocada por uma bactéria a Neisseria gonorrea. Tipicamente localiza-se na mucosa genitourinária, mas a infecção também se podo efectuar por via oral ou anal. A transmissão é quase exclusivamente por via sexual (excepto na conjuntivite neonatal) e o período de incubação é de 2 a 10 dias. É frequente haver infecção concomitante com Chlamydia.

Sintomas

Nos homens os sintomas principais são a disúria e dor uretral. Um sintoma característico é o corrimento purulento pela uretra, sobretudo de manhã (pingo de bom-dia). Se não for tratada a infecção pode progredir e provocar prostatite ou epididimite provocando sintomas como dor no períneo ou no escroto e edema do escroto.

Nas mulheres a gonorreia é frequentemente assintomática, apesar de poder haver corrimento vaginal purulento ou disúria. É raro haver envolvimento do colo do útero ou dos anexos, mas se não for tratada pode provocar doença inflamatória pélvica de subsequente infertilidade.

As manifestações extra-genitais da gonorreia são a faringite ou proctite. É raro haver sintomas sistémicos como febre, calafrios, artrite e endocardite.

Diagnóstico

O diagnóstico da gonorreia é microscópico. Identificam-se as bactérias intracelulares, diplococcos de Neisseria gonorrea em esfregaços corados Gram ou com azul-de-metileno. Há outros métodos como serologias, PCR ou cultura que são de igual forma precisos mas são mais caros e de execução mais complexa.

Terapêutica

Se apenas houver gonorreia p0ode-se tratar o doente com uma dose única se Ciprofloxacina oral de 500 mg. Outros antibióticos eficazes Levofloxacina 250 mg, Ofloxacina 400 mg.

Recentemente os CDC (American Centers for Disease Control and Prevention) relataram o aparecimento de um número crescente de casos de isolados bacterianos resistentes às fluoroquinolonas. Consequentemente os CDC recomendam utilizar uma dose única de 400 mg Cefixima ou 125 mg de Ceftriaxona intramuscular em doentes de alto risco. A utilização de espectinomicina intramuscular também é possível mas só é eficaz nas formas urogenital e ano-rectal da doença não sendo eficaz na faríngea. Por estes motivos uma abordagem pragmática e razoável parece ser a administração de dose única de 1g de azitromicina ou 100 mg/12-12h durante sete dias de doxiciclina. Estas duas últimas opções terapêuticas também permitem tratar uma co-infecção com Chlamydia (ver o próximo capítulo).

Em todos os casos de gonorreia os parceiros sexuais deverão ser investigados para a existência da doença e tratados se necessário.

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