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HIV Medicine 2006

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Tradução:

Carolina Palma
Catarina Pinheiro
Daniela Lobão
Joana C. Silva
Helena Barroso
Inês Bártolo
Patrícia Carvalho
Paula Matoso
Sheila Rocha
Victor Bezerra

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Infecções Oportunistas na era HAART

Actualmente, muitas das infecções oportunistas (IO) tornaram-se raras nos países industrializados do ocidente. Isto é particularmente verdade para as infecções que estão associadas com imunodeficiência severa, como o CMV e a doença de MAC. A incidência destas IOs foi reduzida para menos de um décimo da sua frequência na era pré-HAART. No entanto, a HAART não só baixou a incidência, mas também alterou o curso das IOs consideravelmente. Enquanto os tempos de sobrevivência após os primeiros sintomas de SIDA eram anteriormente de dois a três anos no máximo, muitos doentes vivem hoje 10 ou mais anos com SIDA. O nosso próprio estudo com 150 doentes com toxoplasmose cerebral demonstrou isto: nos anos de 1990-1993 apenas 8 % sobreviviam para além de 5 anos após um episódio de toxoplasmose, entre 1994-1996 aumentou para 30%. Esta taxa chegou aproximadamente a 80 % desde 1997.

A maioria dos doentes que desenvolvem hoje em dia SIDA ou IOs severas não sabem que estão infectados com VIH. Desde o ano 2000, cerca de 50 % dos doentes que se apresentaram com SIDA na nossa clínica não conheciam na altura o seu estado de infecção por VIH. Trinta e cinco por cento dos doentes não tinham sido tratados com anti-retrovirais até lhes ter sido diagnosticada a SIDA. Estes doentes apresentam-se normalmente tarde num estado muito sério. A SIDA continua a ameaçar a vida, e a PPC severa não se tornou menos crítica devido ao aumento do tempo de vida. O perigo agudo continua. Por isso, todos os especialistas em VIH devem estar familiarizados com o diagnóstico e a terapêutica das IOs, mesmo hoje em dia.

No entanto apesar de se ter avançado muito nos últimos anos muitos problemas se mantêm. Continua a não existir tratamento adequado para doenças como a LMPou criptosporidiose, e a resistência tornou-se um problema noutras infecções. A HAART nem sempre leva a melhoras imediatas e pode por vezes complicar as coisas devido ao curso atípico da doença, bem como com a reconstituição imune. Por esta razão, incluímos um sub-capítulo separado sobre o chamado síndroma da reconstituição imune. Continuam a não existir directrizes para a profilaxia das IOs em muitos países, e as recomendações americanas não podem ser aplicadas em todos os locais, uma vez que as taxas de seroprevalência diferem frequentemente, as últimas publicadas em Dezembro de 2004 (Benson 2004). Além disso, tornou-se claro que quase todos os tipos de profilaxia ou terapêutica de manutenção podem ser descontinuadas quando se atingiu um nível suficiente de reconstituição imune.

Em muitos locais, os problemas de diagnósticos ocorrem repetidamente para muitas IO’s, sendo talvez a excepção os grandes centros de VIH. Quem não está familiarizado com os patogéneos não os reconhecerá! Por isso, recomendamos urgentemente que após uma consulta inicial quaisquer espécimes sejam enviados a laboratórios de referência especializados. Mais conselhos, se necessários, podem ser conseguidos de um clínico especialista em VIH ou de um centro clínico de VIH.

A regra mais importante permanece verdadeira, mesmo hoje em dia, para a maioria das IOs: quanto mais débil for o estado imunitário do doente, mais rapidamente se devem iniciar os procedimentos diagnósticos invasivos! O objectivo primário não deve ser poupar o doente a testes diagnósticos extensos envolvendo procedimentos pouco agradáveis. Se na primeira vez nada for encontrado, os testes diagnósticos devem ser repetidos. O tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível.

A segunda regra: em muitos casos, um nº de IO’s podem ser largamente excluídas se o estado imunitário e carga viral forem conhecidas. O conhecimento do estado do doente é muito importante! A tabela 1 mostra os limites para as células T CD4, abaixo dos quais certas infecções podem ser esperadas. A ocorrência de IOs acima dos respectivos valores limites é normalmente uma excepção.

Tabela 1. Limites de Cd4+ acima dos quais é improvável ter uma doença definidora de SIDA. Estes valores de CD4 são exclusivamente uma referência; são sempre possíveis excepções.

Sem limite

Sarcoma de Kaposi’s, tuberculose pulmonar, HZV, pneumonia bacteriana, limfoma

< 250/ml

PCP, candidiase esofágica, PML, HSV

< 100/ml

Toxoplasmose Cerebral, encefalopatia HIV, criptococose, tuberculose miliar

< 50/ml

Retinite a CMV, micobacteriose atipica

A terceira regra: se ainda não estiver a ser efectuada a TARV deve ser iniciada tão depressa quanto possível.na presença de uma IO. A reconstituição do sistema immune é a melhor protecção contra recidivas. Pode também proteger contra outras IO’s. Contudo, a altura optima para iniciar a HAART não é clara. Em muitos casos será preferível esperar alguns dias ou mesmo semanas só com as terapêuticas para as IO’s as quais são tóxicas e altamente interactivas. Isto aplica-se, por exemplo, ao tratamento da PPC, retinite a CMV ou toxoplasmose. Por outro lado, o tratamento da candidíase esofágica ou infecção por herpes não são em geral razão para atrasar a HAART. Para algumas IO’s tais como a LMP e a criptosporidiose, que não têm tratamento específico, o início da HAART é mesmo a única esperança. Nestes casos especiais não há tempo a perder.

Artigos de revisão das IO’s

1.      Brodt HR, Kamps BS, Gute P, Knupp B, Staszewski S, Helm EB. Changing incidence of AIDS-defining illnesses in the era of antiretroviral combination therapy. AIDS 1997, 11:1731-8. http://amedeo.com/lit.php?id=9386808

2.      Jacobson MA, French M. Altered natural history of AIDS-related opportunistic infections in the era of potent combination antiretroviral therapy. AIDS 1998, Suppl A:S157-63. http://amedeo.com/lit.php?id=9632998

3.      Kaplan JE, Masur H, Holmes KK. Guidelines for preventing opportunistic infections among HIV-infected persons 2002. Recommendations of the US Public Health Service and the IDSA. MMWR 2002, 51(RR-8):1-52. http://amedeo.com/lit.php?id=12081007

4.      Kirk O, Reiss P, Uberti-Foppa C, et al. Safe interruption of maintenance therapy against previous infection with four common HIV-associated opportunistic pathogens during potent antiretroviral therapy. Ann Intern Med 2002, 137:239-50. http://amedeo.com/lit.php?id=12186514

5.      Ledergerber B, Egger M, Erard V, et al. AIDS-related opportunistic illnesses occurring after initiation of potent antiretroviral therapy: the Swiss HIV Cohort Study. JAMA 1999, 282: 2220-6. http://amedeo.com/lit.php?id=10605973

6.      Lundgren J, Masur H. New approaches to managing opportunistic infections. AIDS 1999, 13 Suppl A:S227-34.

7.      McNaghten AD, Hanson DL, Jones JL, Dworkin MS, Ward JW. Effects of antiretroviral therapy and opportunistic illness primary chemoprophylaxis on survival after AIDS diagnosis. AIDS 1999, 13:1687-95. http://amedeo.com/lit.php?id=10509570

8.      Sepkowitz KA. Effect of HAART on natural history of AIDS-related opportunistic disorders. Lancet 1998, 351: 228-230.

 

 

 
     
 

     

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