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Tradução: Catarina Pinheiro Daniela Lobão Joana C. Silva Helena Barroso Inês Bártolo Patrícia Carvalho Paula Matoso Sheila Rocha Victor Bezerra Aviso Legal |
Leishmaniose A Leishmania donovani é um protozoário transmitido por mosquitos. De acordo com a OMS existem 12 milhões de pessoas infectadas em todo mundo. 350 milhões vivem em áreas de risco. Todos os anos ocorrem cerca de 2 milhões de novas infecções, a maioria sob a forma de doença cutânea. No sul da Europa a infecção visceral (kala-azar) é muito frequente me doentes infectados com HIV. Em Espanha a maioria dos doentes infectados com leishmaniose visceral são portadores do HIV (Pintado 2001). No entanto a leishmaniose não é uma doença definidora de SIDA, embora hajam muitas razões para passar a ser. Uma revisão de 15 casos documentados de leishmaniose , mostra que todos as pessoas infectadas com HIV estavam significativamente imunossuprimidas (habitualmente com menos de 100 linfócitos CD4+/ul). Alguns dos doentes não estavam há vários anos em áreas endémicas (Albrecht 1998). O envolvimento da medula óssea reflecte-se pela quase obrigatória pancitopénia. Que poderá ser particularmente grave nas pessoas infectadas com HIV (Pintado 2001). Os outros sintomas podem ser febre, hepatoesplenomegália e lesões mucocutâneas. O diagnóstico efectua-se habitualmente pela aspiração de medula óssea. O tratamento é problemático (review: Olliaro 2005). Apesar dos compostos derivados do antimónio pentavalente terem sido utilizados nos últimos 60 anos (ex: Pentostam® e Glucantime®, 20 mg/kg i.v. ou i.m. diariamente durante 28 dias) eles são muito tóxicos. Num ensaio com selecção aleatória em 89 doentes, realizado em Espanha, a anfotericina B e a meglumina foram equivalentes, com taxas de remissão em cerca de dois terços de cada braço, no entanto registaram-se efeitos tóxicos graves com ambos os fármacos em cerca de metade dos doentes com nefrotoxicidade no braço da Anfotericina B e cardiotoxicidade e pancreatite com a meglumina (Laguna 1999). A associação alemã de medicina tropical aconselha a utilização de anfotericina B lipossómica (2-5 mg/kg/d) como o tratamento de escolha. São frequentes as recidivas em cerca de metade dos casos. A terapêutica HAART também parece ter alterado esta panorâmica, mais um argumento para esta entidade ser incluída como uma doença definidora de SIDA (de La Rosa 2002, Fernandez-Cotarelo 2003). Um composto muito promissor – devido à sua boa tolerabilidade e eficácia e ainda o único fármaco com bio-disponibilidade oral para a leishmaniase - é o novo fármaco miltefosina (ImpavidoÔ),, um análogo da alquilfosfocolina, que foi inicialmente desenvolvido para a área da oncologia, mas que não mostrou grande eficácia nesse campo. Foi lecenciada na Alemanha em 2004 e, em 2005 Zentis obteve o estatuto de „fármaco órfão“ da European Health Authority. Isto permite uma exclusividade de 10 anos nos direitos de comercialização, menos encargos e um processo de aplicação para aprovação mais rápido. Ainda não é claro se a miltefosina inibe o metabolismo da leishmania, mas um grande estudo de fase III realizado na Índia mostrou ser muito eficaz (Sundar 2002) Administra-se 100 mg/d, (por mês custa cerca de 2.300 Euro!). Até hoje tratamos dois doentes com sucesso com a miltefosina. Bibliografia 1. Albrecht H, Sobottka I, Emminger C, et al. Visceral leishmaniasis emerging as an important opportunistic infection in HIV-infected persons living in areas nonendemic for Leishmania donovani. Arch Pathol Lab Med 1996, 120:189-98. http://amedeo.com/lit.php?id=8712898 2. Albrecht H. Leishmaniosis - new perspectives on an underappreciated opportunistic infection. AIDS 1998, 12:2225-6. 3. de La Rosa R, Pineda JA, Delgado J, et al. Incidence of and risk factors for symptomatic visceral leishmaniasis among HIV type 1-infected patients from Spain in the era of HAART. J Clin Microbiol 2002, 40:762-7. http://amedeo.com/lit.php?id=11880390 4. Fernandez-Cotarelo MJ, Abellan Martinez J, Guerra Vales JM, et al. Effect of highly active antiretroviral therapy on the incidence and clinical manifestations of visceral leishmaniasis in human immunodeficiency virus-infected patients. Clin Infect Dis 2003, 37: 973-7. http://amedeo.com/lit.php?id=13130410 5. Laguna F, Lopez-Velez R, Pulido F, et al. Treatment of visceral leishmaniasis in HIV-infected patients: a randomized trial comparing meglumine antimoniate with amphotericin B. AIDS 1999, 13:1063-9. http://amedeo.com/lit.php?id=10397536 6. Pintado V, Martin-Rabadan P, Rivera ML, Moreno S, Bouza E. Visceral leishmaniasis in HIV-infected and non-HIV-infected patients. A comparative study. Medicine (Baltimore) 2001, 80:54-73. http://amedeo.com/lit.php?id=11204503 7. Sundar S, Jha TK, Thakur CP, et al. Oral miltefosine for Indian visceral leishmaniasis. N Engl J Med 2002, 347:1739-46. http://amedeo.com/lit.php?id=12456849
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